quarta-feira, 16 de março de 2016

A Incrível História da Menina que Foi Morar Sozinha

O título acima é bem falacioso, por três motivos: a menina (no caso, eu) tinha vinte e seis anos e, portanto, não era mais menina coisíssima nenhuma; ela não foi morar sozinha, apenas saiu da casa dos pais; e não tem nada de incrível em nada disso. Mas esse título ficou legal, não ficou? Eu sei que ficou.
Pois então. Lá estava eu, no auge dos meus vinte e seis anos (embora algumas pessoas ainda me questionem se eu já fiz vinte), e finalmente, por um série de motivos, não estava mais vivendo com meus pais. Eu acho que, em certo momento da vida, todo jovem adulto passa a sonhar incessantemente com ter uma vida independente, e - uaaaauuuu - eu finalmente tinha conseguido! Fui morar em uma república. Finalmente independência total. A vida lá fora. Liberdade.

Antes de darmos prosseguimento, vamos voltar uns vinte anos no tempo.
Vitoria era uma linda menininha, que as vezes parecia um menininho, que as vezes queria mesmo ser um menininho, e que, por algum motivo, foi criada - pelos pais e pelo mundo - como um menininho. Ela não gostava de bonecas, então os pais não lhe davam bonecas. Ela não brincava com as meninas que brincavam de bonecas, e sim com os meninos. Ela gostava de brincar de luta, de bater nas outras pessoas, de subir em árvores e de andar de bicicleta. Ela gostava de aprender as coisas bem depressa, apenas para mostrar para o mundo o quanto ela era inteligente e superior. Vitoria era, acima de tudo, uma criança irritante.
Vitoria foi crescendo, feliz e contente, brincando na rua, batendo em todo mundo e sendo elogiada por pais e professores. Ela desprezava profundamente as outras meninas, e desprezava mais ainda tudo ligado a elas - e isso incluía coisas como brincar de casinha, de boneca, e ajudar a mamãe com coisas que mamães fazem. Ela não queria ser a mamãe, queria ser o papai. E, por isso, ela só fazia coisas que papais faziam, como trocar resistências de chuveiros, ser muito boa em matemática, e falar de futebol. Ela queria ser uma mulher totalmente independente quando crescesse, não uma dona de casa, muito menos uma dona de casa com marido e filhos. Ela desprezava profundamente donas de casa com suas milhares de tarefas domésticas chatas. Ela era uma intelectual. Uma mulher do futuro. Independente. Com ensino superior. Que trabalha fora. Ela se via como uma mulher acima das outras mulheres, acima dos homens. Alguém que reunia o melhor dos dois gêneros. Alguém que nunca seria somente a esposa do fulano.

Corta para 2014:
Vitoria está morando sozinha pela primeira vez na vida, e amaldiçoando cada segundo em que não insistiu para que sua mãe lhe ensinasse, no mínimo, a cozinhar.
Em toda a minha superioridade intelectual imaginária, eu esqueci completamente que parte das atribuições de um ser humano independente é ter a capacidade de cuidar da própria casa. Eu não sabia cozinhar. Era incapaz de costurar um furo qualquer numa camisa. Não tinha a menor ideia de como se lavava um banheiro. Não sabia como limpar a casa. Não sabia passar roupa. Não sabia lavar roupa na mão, e nunca tinha usado uma máquina de lavar. As únicas coisas que eu sabia eram lavar a louça e varrer o chão, e mesmo assim não era nem um pouco boa nisso.
O início da minha vida longe dos meus pais foi completamente surreal. Eu tive que procurar no google COMO FRITAR UM OVO. Eu tive que pedir instruções detalhadas sobre como lavar um banheiro. Eu sequer sabia para que servia água sanitária, detergente e essas outras coisas de limpeza que eu não sei o nome.Minhas primeiras experiências na cozinha foram um total desastre. Uma blusa minha descosturou e eu esperei meses até que minha tia costurasse para mim. Eu varria o quarto de mês em mês, e na primeira vez que dei faxina, foi um desastre. Eu não sabia o que comprar no supermercado. Na primeira vez que tive que lavar roupa num tanque, minhas mãos ficaram completamente machucadas e eu acabei molhada dos pés à cabeça.

Isso, claro, foi há dois anos atrás. Felizmente, aos poucos, eu fui aprendendo a fazer as coisas (não sou uma porta, posso aprender a fazer coisas) e hoje consigo me alimentar e manter as coisas em ordem, mais ou menos.

E por que estou contando isso?
Porque eu quero avisar pro mundo, caso alguém ainda não saiba, que nenhum conhecimento deve ser desprezado. É importantíssimo cuidar dos estudos, da carreira, ser financeiramente independente, e conseguir trocar o pneu do carro. Igualmente importante é ter a capacidade de cuidar da sua própria casa, preparar suas próprias refeições e lavar suas próprias roupas. Você nunca vai ser verdadeiramente independente se não for capaz de cuidar das coisas do dia a dia.
Então aprenda, aprenda tudo o que puder. Aprenda a cozinhar e a trocar lâmpadas. Aprenda a consertar um computador e a costurar. Aprenda matemática e português, química a história. Aprenda dezenas de outras línguas, mas saiba como usar cada produto de limpeza. Você não precisa ser excelente em tudo. Mas você deve saber ao menos o básico de tudo o que for necessário para ser independente.
Você precisa ser independente. E isso inclui ser capaz de cuidar de todas as questões da vida. Todas. Nunca despreze nenhum conhecimento. Nunca se ache bom demais para precisar saber algo. Você não é bom demais. Você é só mais um, e será um completo inútil se não for capaz de cuidar sequer de si mesmo sem a ajuda de outros.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O Homem que Pulou a Roleta e o Cobrador Furioso

Era mais uma tarde absolutamente normal. Estávamos perto da páscoa, e eu estava voltando do trabalho. Como sempre, eu tinha pegado um ônibus lotado e estava de pé e imprensada no meio de dezenas de pessoas, o que já não é legal normalmente, mas se torna muito pior quando você está carregando uma sacola com ovos de páscoa e uma mochila pesada.
Depois de quase quarenta minutos eu consegui passar da roleta, e na mesma hora, por pura coincidência, a pessoa que estava sentada em um dos primeiros bancos levantou. Sentei no lugar dela - sob os olhares de ódio das pessoas que estavam por perto mas que não foram tão rápidas quanto eu - e coloquei o fone para ouvir musiquinha.
Mas eu não cheguei a ouvir musiquinha nenhuma. Mal eu sentara, e antes que o ônibus voltasse a andar, um rapaz que acabara de entrar pulou a roleta. Eu já vi essa cena centenas de vezes, e sempre me irrita. Mas naquele dia foi um pouco diferente.
Assim que o rapaz pulou a roleta, o cobrador gritou para que ele saísse do ônibus. O rapaz falou alguma coisa, dizendo que não iria sair, e nessa hora eu ainda não estava prestando muita atenção no que estava acontecendo. Só prestei atenção quando a porta de trás do ônibus se abriu, o cobrador desceu da cadeira, foi até o rapaz e o segurou pela camisa, empurrando ele porta a fora. O rapaz continuou resistindo, xingando o cobrador, e se segurou na porta para não ser jogado para fora. E aí o cobrador simplesmente deu um chute nele. Aliás, um não, uns três ou quatro chutes, até que o rapaz caísse pra fora do ônibus e o motorista afinal fechasse a porta.
A essa altura todo mundo do ônibus estava assistindo a cena, assim como algumas pessoas do lado de fora. Algumas pessoas - uma mulher com um bebê, e uns velhinhos - estavam dando gritinhos e falando "ai meu deus do céu cobrador, não faz isso!", e o cobrador respondeu com xingamentos, voltando para a sua cadeira.
Nessa hora eu já estava escrevendo mentalmente esse texto, pensando em como os ônibus sempre serão um rico material para os cronistas. Mas quando tudo parecia afinal em paz, o imbecil do cara que tinha sido expulso do ônibus foi para a beira da janela do cobrador.e começou a xingar, falando um monte de babaquices - coisas do tipo "você tá fudido, eu vou te matar". O cobrador gritou pela janela "vai me matar? Então me mata agora, palhaço! Abre a porta, motorista!". Assim que o motorista abriu de novo a porta, o cobrador desceu do ônibus e saiu correndo atrás do cara, que fugiu em desespero. Todo mundo dentro do ônibus começou a gritar, e algumas pessoas na rua também. Gritaram "segura ele motorista!", e o motorista desceu também, mas não para segurar ele; saiu correndo atrás do homem também, e depois de menos de duzentos metros de corrida, eles alcançaram o cara.
Eu, obviamente, estava desde o início na torcida para que pegassem o cara, e quando eles conseguiram, eu quase bati palmas - ao contrário do resto do povo do ônibus, que estava em pânico. Os dois pegaram o cara, e de onde eu estava consegui ver os primeiros socos, antes que ele caísse no chão.
O cara não foi linchado, não se preocupem. Nem chegou a ser uma grande surra. Apenas meia dúzia de socos, alguns tapas, e uns chutes - confesso que fiquei um pouco decepcionada, porque esperava mais. Depois o motorista e o cobrador voltaram para o ônibus, parecendo infinitamente mais felizes e realizados. As pessoas continuaram reclamando que aquilo tinha sido perigoso e desnecessário, mas de uma coisa eu tinha certeza: a partir daquele dia, aquele cara ia pensar mil vezes antes de pular a roleta de um ônibus.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Manifesto Ateísta

Cristãos, não me peçam para ser tolerante com vocês, porque vocês não têm esse direito. Nenhum cristão tem o direito de me chamar de preconceituosa, de dizer que o que digo contra religião é falta de respeito. Vocês não têm esse direito. Porque vocês, nesse nosso país laico de Deus, nunca sofreram um décimo - um centésimo, um milésimo - do preconceito, do desrespeito, da falta de consideração que eu e todos os ateus sofremos pelo simples fato de pensar de forma diferente. Então, não venha me cobrar respeito. Vocês não têm esse direito.
Seus amigos de escola e seus professores te ridicularizaram quando você tinha apenas seis anos, porque vocês eram batizados? Quando você disse, aos onze anos, que acreditava em Deus, seus colegas tentaram te bater e te ameaçaram com um inferno que você sequer compreendia, mas já temia? Alguém te olhou com pena ou desprezo por você ser cristão? Alguém deixou de falar com você porque você acreditava em Deus? Provavelmente não. Então não venha me falar que os ateus têm preconceito com os cristãos. Vocês não sabem o que é isso. Vocês não têm esse direito.
Você não sabe o que é não poder dizer o que você realmente é por medo da reação das pessoas. Se você é evangélico ou católico, você simplesmente diz. Você não fica com medo de dizer sua religião. Eu fico. Eu e muitos ateus não podemos chegar em qualquer lugar ou situação e dizer que somos ateus. Porque podemos perder amigos. Porque podemos perder empregos. Porque as pessoas nos olham diferente. Porque se eu usar uma camiseta escrito "Não acredito em Deus", eu posso apanhar no meio da rua. E se eu apanhar, o comentário geral será "Bem feito, estava procurando problema".
Eu não estou procurando problema. Eu só não acredito em Deus. Deveria ser uma coisa insignificante, ao ponto de uma camiseta ser algo desnecessário, mas não é. É importante. Eu tenho que dizer isso, tenho que gritar, tenho que lutar para ser aceita. Porque quando eu era tão pequena que nem sabia que existia uma palavra para aqueles que não acreditam em deus, eu já chorava a noite me perguntando o que havia de errado comigo, porque eu não conseguia acreditar naquilo que todos me diziam ser verdade. E o motivo de não acreditar não era uma revolta louca - eu era nova demais para isso. O motivo era que eu nunca consegui acreditar em absurdos.
Eu nunca acreditei em Papai Noel, coelhinho da páscoa, fadas, deuses. Não importava que os adultos quisessem que eu acreditasse, eu sabia que esse tipo de coisa simplesmente não podia existir no mundo real. Mas eu não fui punida por não acreditar em Papai Noel. Fui punida, e muitas vezes e das formas mais violentas e absurdas, por não acreditar em Deus.
Você não tem o direito de se revoltar com a minha ausência de fé. Porque você não viveu em um mundo em que você tinha vergonha de ser quem você é. Você não sabe o que é isso. Não venha me exigir respeito, porque você não me respeita. Você não sabe o que respeito significa.
Você não sabe o que é quando sua própria família te despreza. Quando a sua própria família tem pena e vergonha de você. Quando a sua própria família se divide entre os que acreditam em X e os que acreditam em Y, e você, que não acredita em nada, fica ali no meio, completamente sozinho.
Você não sabe o que é ter nove anos e rezar por noites e noites escondida, aos prantos, pedindo, implorando um sinal, qualquer coisa que te ajude a acreditar, que te ajude a ter essa habilidade estranha que as pessoas chamam de fé. Você não sabe o que é ter apenas nove anos - nove anos! - e chorar por medo de estar errado, por medo de ir pro inferno, por medo de que as pessoas te abandonem se souberem que você não é como elas.
Você, cristão, você não sabe o que é ser diferente de todo mundo. Você não passou por isso, pelo menos não com religião.
Você não sabe o que é viver metade da sua vida com medo de uma coisa em que você sequer acredita.
Desrespeito? Desrespeito é você, cristão, pegar seu filho que é novo demais para entender o que quer que seja, e o obrigar a frequentar uma igreja, batiza-lo, faze-lo repetir coisas que ele não tem a capacidade de entender em plenitude, e transforma-lo por fim em um pequeno robô que vai agredir e humilhar os amigos que não acreditam no mesmo que ele. Assim como eu fui humilhada, assim como a maioria dos ateus também foi.
Desrespeito é você ouvir políticos e jornalistas dizendo que quando uma pessoa age de forma errada, isso é "por falta de Deus".
Acha ridículo o pedido dos ateus de se tirar o "Deus seja louvado" das notas de real? É claro que você acha. Você não ouviu dezenas de crianças gritando "Você vai pro inferno" enquanto ameaçavam te dar uma surra. Você não ouviu, depois de adulto, pessoas falando "Você tem que acreditar senão você vai pro inferno", enquanto te olhavam como se você tivesse uma doença mortal, contagiosa e muito nojenta. Você não chegou ao ponto de desejar que todas as igrejas do país desabassem com todo mundo dentro, apenas para você poder viver em paz, poder gritar aos quatro ventos que você não acredita e não ser jugado nem punido por isso.
Eu vou pro inferno? Ótimo! Vamos, vamos todos juntos. Eu não me importo, há muito tempo suas ameaças não me assustam mais. Mas você não tem o direito de fazê-las. Você não tem o direito de me causar dor e sofrimento. Eu já tive a minha cota de dor e sofrimento. Todos nós já tivemos. Não preciso de mais. Não preciso continuar a tolerar sua ignorância. Não venha me exigir respeito. Não vou mais me calar por medo de dizer o que você não quer ouvir. Não vou, porque você não se cala em respeito a mim - e nem quero que se cale. Quero que possamos conversar sem que a conversa acabe em sangue e lágrimas. Quero poder dizer que sou ateia sem que pra isso precise perder um amigo ou um parente. Quero poder publicar esse texto na porcaria de um mural de Facebook sem ser bombardeada por mensagens intolerantes e preconceituosas. Sem que alguém me pergunte se meus pais sabem disso.
Não venha me exigir respeito.
Quero poder dizer que sou ateia sem que as pessoas digam que sentem pena de mim, sem que digam que eu devo ser uma pessoa infeliz. Não sou. Se há algo aqui me deixando infeliz, é a sua ignorância, o seu preconceito, a sua intolerância.
Quero que nenhuma criança tenha que passar pelo que passei, pelo que tantos passaram. Que ninguém seja condenado por não ter uma religião ou não seguir uma crença. Que ninguém seja obrigado a acreditar. Que ninguém tenha que sofrer por causa da intolerância de outros. E que você, cristão, entenda que esse texto é dirigido diretamente a você, mas não foi escrito em meu nome. Foi escrito em nome de todos os ateus que sofrem todos os dias na sua mão.
Então não nos peça respeito. Nos respeite, e será também respeitado.

domingo, 3 de agosto de 2014

[Repost] Jesus, Gente

Estava pensando esses dias, enquanto estava bêbada refletindo sobre o mundo: Jesus era o cara. Sou fã de Jesus, fã mesmo. Se um dia ele voltar, vou entrar na fila pra pedir um autógrafo.
Pra quem não conhece: estou falando do Jesus, aquele cara que foi tipo um Che Guevara da antiguidade. Estou falando do filho da Maria e do José, cara legal, carpinteiro. Ele era muito doido, mas era um cara legal. Sou muito fã dele.
Gente, o cara era fantástico. Sério. Desde pequenininho ele fazia umas coisas muito loucas. Faz tempo que não leio o Novo Testamento – não sou muito chegada nos apóstolos – mas lembro de algumas coisas bacanas. Teve aquela parada da conversa dele com os sábios, que eu sempre achei fantástica. Pra quem não sabe, quando Jesus era criança, durante uma festa de não sei o que (perdão se não for nada disso, já não me lembro), ele se perdeu dos pais, e quando o encontraram, ele estava dentro de um templo, discutindo sobre religião com os grandes sábios do lugar. E ele era um molequinho. Quando eu era pequena, sonhava em um dia encontrar um bando de sábios e ficar discutindo sobre religião com eles. Eu tinha certeza de que, em inteligência, não perdia nada pra Jesus.
Agora, o que me fez virar fã definitiva dele foi aquela história do templo, quando ele já era adulto mesmo e andava por aí cheio de gente seguindo ele, que nem político em propaganda eleitoral. Ou que nem os Beatles. Ele chegou lá no templo, e tinha um monte de gente vendendo tudo quanto é troço em frente, mais ou menos que nem tem hoje nessas igrejas evangélicas. Aí ele ficou muito puto com aquilo tudo e começou a pegar as barraquinhas dos caras e jogar tudo longe, gritando “a casa de meu pai não é casa de comércio!”. Cara, fantástico! Quantas vezes já senti vontade de fazer a mesma coisa. Quando um crente chegar pra mim tentando me entregar esses papeizinhos que eles sempre entregam e eu nunca aceito, vou agarrar ele pelo pescoço e gritar “a casa de meu pai não é casa de comércio!”. Assim, do nada mesmo. Só pra ver a cara dele.
E qual foi a primeira magiquinha do nosso bom amigo Jesus? Foi andar sobre as águas? Não. Foi curar as criancinhas? Nãããão. Foi multiplicar o pão? Muito menos. A primeira mágica dele foi transformar água em vinho! Ele estava lá, em uma festa super animada, e quando o pessoal ficou desesperado porque a bebida tinha acabado, ele falou “deixa comigo!”, e pegou a água que tinha na casa e transformou tudo em vinho. Imagina a festa! Tenho tentado fazer isso já há algum tempo, mas não consegui ainda. Espero que ele volte logo pra me explicar como é que se faz.
Finalmente, depois de fazer aquele monte de troço doido, de fazer até o imperador de Roma (foi isso mesmo?) ficar puto da vida, de quase pôr o império à baixo e fazer a primeira super revolução da história, ele acabou sendo preso. O que, digamos assim, já era de se esperar. E não me ponham a culpa no pobre Judas. Coitado, o cara só tava obedecendo ordens. Tenho certeza de que foi Jesus que chegou pra ele, na calada da noite, e disse “aqui, Judas meu amigo, eu tenho uns planos de ficar famoso fazendo uns truquezinhos, mas pra isso você vai ter que me ajudar”. O cara só foi lá e fez o que tinha que fazer. Afinal, se ele não tivesse feito, Jesus não teria sido preso nem crucificado e não seria conhecido até hoje. Olha só que prejuízo.
Bem, aí ele foi preso. Coitada da Madalena, mulher dele. Ela tava sempre lá, do lado dele, fazendo tudo pra ajudar ele. Figura importante a da Madalena. Enfim, nosso amigo Jesus foi preso. Aí cada um diz uma coisa. Tem um livro muito conhecido por aí que diz que ele foi crucificado e voltou pra fazer uma visita depois de uns dias (e, do jeito que ele era, não duvido nada). Tem gente que diz que a Madalena salvou ele, eles fugiram para a Europa e vivem lá até hoje, cercado de filhos, netos, bisnetos e etc, rindo da gente. Tem gente que jura que ele foi salvo por discos voadores. E tem gente ainda que diz que, quando iam pregar ele na cruz, ele hipnotizou o guarda, fez cair uma chuva de pedras que derrubou todo o exército de Roma, mandou um beijo pros apóstolos, pegou a Madalena e as crianças, subiu em uma carruagem de fogo e foi voando para o céu, de onde começou a chover ouro.
Enfim, eu não sei. Não estava lá pra ver. Provavelmente estava ocupada, tirando fotos pro calendário de Roma.
E, depois de aprontar essa bagunça toda, é claro que o cara ia ficar super famoso. É conhecido até hoje. Tem camiseta com o nome dele. Crucifixo com a estatuazinha dele. Quadros com o retrato de um cara que resolveu se passar por ele, loiro e de olho azul (bem gatinho, mas que não tinha nada a ver com ele, coitado). Jesus é moda. Igualzinho ao Che, como eu disse lá no início. Tem até igreja só pra ele! Por isso que eu digo que, quando crescer, quero ser igual a ele. Assim que aprender aquele truque do vinho, vou começar a reunir apóstolos. Só não vou ressuscitar os mortos. Deixa os mortos morrerem. Já tem gente demais no mundo.
Mas, do jeito que Jesus era, ele arrumava um mundo maior pra caber todo mundo. Se Jesus estivesse aqui, no meio do povo, ninguém morria mais. Ia ser só festa, com muito vinho e muito peixe e muito pão. E ninguém ia ficar bêbado. E nós seríamos grandes amigos. Se ele fosse mesmo gatinho, eu até casava com ele.
Jesus, gente. Sou fã desse cara. Sério.

* * * * *

A versão original deste texto foi originalmente publicado em 12/05/2009. Esta nova versão sofreu algumas alterações em relação à versão original.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Escrevendo Cenas de Sexo - Algumas Dicas

Todo mundo deve saber (quem não sabe, fique sabendo agora) que eu escrevo fanfics, lá no meu outro blog. Todo mundo que sabe isso, também sabe que eu, assim como a maior parte das escritoras de fanfics, gosto de, de vez em quando, pender para o lado erótico-pornográfico da história. Tenho algumas fanfics legais com boas cenas de sexo, mas esses dias estava relendo um material antigo meu, e rapaz... Em uma escala de qualidade de 0 a 10, aquilo leva um -1. Com pontos negativos extras para a irrealidade da parada.
Quando eu escrevi minha primeira fanfic, eu tinha uns treze anos, e foi sobre Card Captor Sakura (tenho que publicar uma dessas qualquer dia). Só que na época, eu nunca tinha sequer ouvido falar no termo "fanfiction", e não sabia que existiam outros loucos fãs por aí escrevendo histórias como eu.
Minhas primeiras fanfics não tinham nem referência a sexo. Eu não sabia o que era sexo. Eu só tinha treze anos. Claro que eu achava que sabia, mas eu não sabia. E nem me interessava, naquela época.
Só que eu fiz catorze, quinze, dezesseis, comecei a ficar interessada no assunto, comecei a acrescentar esse rico elemento às minhas histórias... E continuava sem ter a menor ideia do que era sexo. Então, eu era totalmente virgem - totalmente no sentido mais total da palavra - e lá estava eu, escrevendo as cenas de sexo mais absurdas e irreais que você conseguir imaginar.
Claro, eu não tirava aquelas ideias do nada. Eu lia muito - meu pai tinha uma banca de revistas, e eu devorava todo tipo de revista que via pela frente - e também já tinha ouvido falar, já tinha visto filmes, enfim, tinha muito material de pesquisa. E tinha imaginação. Uma imaginação muito fértil, por assim dizer.
Só que aparentemente, todas essas pessoas que escreviam sobre sexo e faziam cenas de sexo e falavam sobre sexo também não tinham a menor ideia do que estavam dizendo, ou não se preocupavam em retratar a coisa de forma realista. E eu realmente acreditava que aquilo tudo tinha uma grande dose de realidade, e escrevia as minhas cenas misturando aquelas informações totalmente absurdas com a minha imaginação romântica mais absurda ainda, e aí saía todo tipo de loucura que você conseguir imaginar.
Depois que descobri que as coisas não eram assim, confesso que me senti um pouco enganada. Minhas cenas de sexo melhoraram muito desde então - embora eu não escreva nada explícito, porque não gosto. Só que, lendo fanfics por esse mundo a fora, eu percebi que uns noventa porcento das pessoas que escrevem parecem ser como eu era: não têm a menor ideia de como se fazem os bebês. A maioria é adolescente, então provavelmente são virgens (essas meninas estão comportadas demais...), mas eu não entendo algumas mulheres mais velhas e até casadas que escrevem cenas simplesmente ridículas de tão falsas. Claro que muitas vezes a gente quer fantasiar, romantizar a parada, mas tudo tem limites. Eu acho.
Por isso amiguinhas, aqui vai um guia prático e rápido com algumas pequenas dicas de coisas que vocês devem ou não devem escrever sobre sexo, se quiserem tornar a cena mais realista:
  • Em primeiro lugar, a que eu considero mais importante pela frequência com que vejo isso por aí: as pessoas não gritam nomes, frases, palavras, nem nada parecido na hora do orgasmo. É extremamente difícil dizer qualquer coisa coerente, às vezes até fazer um som indefinido aleatório é impossível. Antes tudo bem, mas na hora não. E cara, mesmo que você seja virgem, você já deve ter tido um orgasmo, então pare um pouco pra pensar e você vai entender o que eu estou dizendo. Tente se imaginar gritando o nome do cara quando você estiver gozando. Além de bizarro, arrisco dizer que seja impraticável. É difícil até lembrar quem é aquela pessoa ali em cima de você, como é que você vai gritar o nome dela? Se um cara grita meu nome quando ele tem um orgasmo, eu vou levar um susto. E provavelmente nunca mais vou transar com ele. E quando o nome a ser gritado é "John" ou algo assim até fica bonitinho escrevendo, mas imagina se a moda pega e você resolve transar com um cara chamado Eucliciano. Não.
  • É improvável que duas pessoas tenham um orgasmo ao mesmo tempo. Não acredite nesses filmes e livros que você lê por aí. A chance de isso acontecer naturalmente é muito pouca. Claro que vocês podem combinar de sincronizar, mas não vai achando que em todas as vezes o cara vai segurar o orgasmo por quarenta minutos pra esperar você. Então, se quiser colocar uma cena assim porque é romântico e tals, tudo bem, mas não coloque todas as suas cenas de sexo assim.
  • A maioria das relações sexuais dura menos de uma hora. Claro que pode durar mais, mas se você colocar todas as cenas de sexo com duração de quatro horas, seus personagens ou não são humanos, ou precisam de um médico.
  • É muito difícil uma mulher ter um orgasmo com menos de dez minutos de sexo. Tente.
  • Homens não conseguem ter vários orgasmos seguidos. Antes eu achava que dava, mas não dá. Eles precisam de um tempo, e às vezes é um longo tempo. Ah, e já me disseram que nem todas as mulheres conseguem ter vários também, mas essa informação eu não tenho como confirmar.
  • Se você quer escrever uma cena de sexo gay colocando um dos caras pra reagir como se fosse uma mulher, beleza. Mas saiba que gays não são mulheres (sério?). Assim como todos os homens, eles não são de enrolar muito. Então uma cena de sexo gay em que eles têm duas horas de preliminares não é muito realista (quem me disse foi um amigo gay, ele deve saber do que está falando).
  • As pessoas se mexem quando dormem. Pelo menos, a maioria delas. Então dormir de conchinha e acordar na mesma posição é algo raro. O mais provável é que acorde um meio caído em cima do outro, isso se não acordarem no meio da madrugada brigando pelo lençol.
  • Dormir abraçadinha apoiando a cabeça no peito do seu amado é romântico, mas extremamente desconfortável. Talvez não seja se o cara for gordo, não sei. Mas com esses tipos atléticos e definidos que povoam as fanfics, é o mesmo que dormir usando uma tábua como travesseiro. Com quinze minutos de sono seu instinto de sobrevivência vai ter feito você rolar pro lado em busca do seu travesseiro fofinho.
É isso crianças, eu não sou nenhuma grande especialista no assunto, mas espero que essas dicas sejam úteis na vida de vocês (embora eu mesma nem sempre as siga). Vamos escrever pornografia consciente e de qualidade.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O Restaurante

Essa história, por mais absurda que pareça, aconteceu de verdade há algum tempo, com um conhecido meu.
A pessoa em questão vendia produtos de limpeza para restaurantes, lanchonetes, enfim, esses lugares que precisam estar muito limpos. E em mais um dia comum de trabalho, ele foi bater na porta de um bar-restaurante muito conhecido aqui na orla norte da Grande Vitoria, o qual não citarei o nome porque não quero ser processada.
Enfim. Ele foi atendido por um funcionário do restaurante, que o mandou entrar e esperar na cozinha.
A cozinha.
Vamos lembrar que não estamos falando de uma cozinha qualquer. Aquela era a cozinha de um grande restaurante na beira da praia, muitíssimo conhecido e que no verão recebe centenas de turistas, que ali comem felizes, contentes e confiantes. A cozinha de um lugar assim deve ser impecável, certo?
Certíssimo, mas havia uma grande distância entre o que ela devia ser e o que ela realmente era.
A cozinha era toda revestida por azulejos que um dia haviam sido brancos, mas que estavam pretos de sujeira. Havia crostas de gordura e sujeira pelas paredes. Restos de comida estragada em cima da mesa. O chão estava ainda mais imundo.
Nisso, veio a dona (ou gerente, não lembro) do restaurante conversar com meu amigo. Ele explicou que estava ali para vender produtos de limpeza, que trabalhava para uma firma grande, especializada nesse tipo de coisa e etc. Mas a mulher nem deixou ele terminar de falar.
— Nem adianta, aqui a gente não gasta dinheiro com essas coisas não.
O essas coisas se referia a produtos de limpeza adequados a cozinhas industriais.
— Então vocês usam produtos de limpeza comuns? - meu amigo não se surpreendeu, porque na orla do Espirito Santo, principalmente no norte, esse tipo de "descaso" é inacreditavelmente comum. Ele começou, então, a falar sobre como seria muito mais econômico e vantajoso usar os produtos que ele estava vendendo, além de atenderem às normas da fiscalização - coisa que os produtos comuns de supermercado não faziam.
— Nããããoooo. - a dona do restaurante explicou - A gente não compra nada desses produtos de limpeza, não. A gente não gasta dinheiro com essas besteiras. A gente pega essa gordura que sobra e faz sabão com ela. É isso que a gente usa no restaurante inteiro.
Agora, se você for uma pessoa com o mínimo senso de higiene, deve estar fazendo a mesma cara que meu amigo fez na hora, e que eu fiz quando ele me contou.
Vamos recapitular, porque talvez não tenha ficado muito claro: um dos restaurantes mais conhecidos da região possui uma cozinha imunda, e a própria dona ou gerente admitiu que não usa produtos de limpeza adequados "porque é besteira", e ainda usa "sabão caseiro" para lavar a louça, o chão, as mãos e sei lá mais o que.
Talvez você esteja se perguntando como é que a fiscalização não fecha esse lugar?
Meu amigo se fez essa pergunta também. E comentou com a dona:
— Mas vocês não se preocupam com a fiscalização? Se o fiscal da vigilância sanitária aparecer aqui...
A mulher riu. Não é figura de linguagem minha. A mulher literalmente riu.
— Fiscal? Isso não existe aqui não! Eu trabalho aqui a X anos (não lembro quantos anos ela falou) e NUNCA apareceu um fiscal aqui.
Eu não sei a que ponto ela estava exagerando, mas sei que existe uma grande chance de não haver exageros, por causa de outras situações parecidas que eu já presenciei por aqui, e que talvez conte em outra ocasião. Não há fiscalização na orla norte do Espirito Santo. Claro que se alguém perguntar na prefeitura, vão dizer que tem. Oficialmente tem. Mas na verdade não tem. Não mesmo.
Resumindo a história: meu amigo horrorizado (porque ele ia ali direto), eu horrorizada (porque eu ia ali direto), meus amigos horrorizados (porque eu contei para eles e eles iam ali direto), e agora vocês horrorizados porque talvez tenham ido ali e não sabem. Horrorizemo-nos juntos.

* * * * *

E agora você, amiguinho que mora ou vem passear no Espirito Santo, sabe que quando for em um restaurante da orla, existe uma boa chance de que a cozinha dele tenha crostas de gordura na parede e que seu prato seja lavado com banha de porco. Bom apetite.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

07-Ghost para Iniciantes

Esse texto é sobre o anime/manga 07-Ghost, pelo qual eu estou profundamente apaixonada. Não possui spoilers, podem ler sem medo =)



Ambientado em um mundo de fantasia gótica, 07-Ghost conta a história de Teito Klein, um ex-escravo de 15 anos órfão, que  não tem nenhuma lembrança de seu passado e que está prestes a se formar como o melhor estudante da academia militar. Porém, em uma inesperada reviravolta do destino, ele acaba recuperando uma importante memória, se torna um inimigo do Império de Barsburg e passa a ser perseguido pelo exército.
A descoberta de Teito sobre sua verdadeira natureza e seu subsequente desejo por vingança envolvem ele nos assuntos dos próprios Deuses, quando ele se encontra no centro do conflito entre o shinigami Verloren e os misteriosos seres de luz enviados pelo Céu para se opor a ele: os 07 Ghost. Para lutar contra o Império, Teito conta com a ajuda dos bispos da Igreja e de seu grande amigo Mikage.
(Baseado no resumo do mangahere.com, adaptado)



Ok, esse é mais ou menos o "resumo oficial" de 07-Ghost. Para quem quer saber um pouco mais, aqui vai algumas informações e comentários adicionais, sem spoilers.

Que tipo de história é 07-Ghost?

A parte óbvia é que 07-Ghost é fantasia (se passa em um mundo fantástico, onde as pessoas lutam usando um poder chamado Zaiphon, existem deuses, exitem dragões que falam etc). Também é de ação, aventura e drama. Isso você percebe só de olhar a abertura do anime.



Um pouquinho menos óbvio, mas que dá pra sacar logo no primeiro episódio, é que é shonen-ai (relacionamentos entre meninos) (não é gay!). 07-Ghost praticamente só tem personagens masculinos, então todas as interações se dão entre eles (consequentemente, não existe romance na história, mas muito "bromance"). A história foca profundamente na questão da amizade e do companheirismo.



Agora, não é nada fácil encaixar ele em um público-alvo. Eu já vi classificações que vão desde josei (para mulheres adultas) até shonen (para meninos). Como assim cara?
Isso acontece porque 07-Ghost é uma mistura muito louca de gêneros. À primeira vista, pode-se pensar que se trata de um shojo (para meninas), por causa das partes fofinhas e engraçadas, do foco nos sentimentos, do shonen-ai e dos traços belíssimos. Mas apesar disso, esse manga tem uma quantidade de violência, de batalhas, de tecnologias e de explosões que decididamente o encaixam no shonen. E a forma extremamente profunda como os personagens são desenvolvidos, a seriedade de certos assuntos, os relacionamentos familiares e as profundas reflexões filosóficas podem classificá-lo como um manga voltado para um público mais adulto.
Então, se você olhou para o desenho bonitinho e os olhos redondos e achou que era uma história adolescente para garotas, você está errado. E se você olhou para as naves gigantes, para as cenas de lutas e para os monstros e achou que era para meninos, você também está errado.



07-Ghost é sobre sentimentos e sobre amizade, sobre vingança e perdão. É sobre a solidão e o companheirismo. É sobre confiança e fidelidade, sobre medos e coragens. Sua história é agridoce, sem muita preocupação com finais felizes ou mundos cor-de-rosa. Mas toda essa seriedade é equilibrada por cenas totalmente não-sérias e engraçadíssimas, muitas vezes beirando o ridículo. Então na maior parte do tempo não é uma história pesada ou difícil de ler.
Comparando com outros mangas, eu diria que ele lembra um pouco Blood-C ou Ayashi no Ceres em estilo de história (eu sei que esses dois são radicalmente diferentes um do outro, mas os dois têm elementos em comum com 07-Ghost).

O anime ou o manga?

Se você só vai acompanhar um dos dois, eu recomendo fortemente que acompanhe o manga (que terminou no fim do ano passado). A história é mais consistente, não existem falhas nem fillers, e as coisas são melhor explicadas (e para as meninas, tem mais fan-service). Além disso, o anime só vai até mais ou menos o capítulo 25 do manga (são 99 capítulos), então se você só ver o anime vai ficar sem entender muita coisa.
Mas se você vai ver os dois, então você DEVE ver primeiro o anime, e só depois ler o manga. Porque o anime é fantástico (um dos melhores que já vi), mas o manga é muito melhor, tão melhor que faz você ver milhões de defeitos no anime. Além disso, é mais fácil de entender as cenas de luta no anime, e elas são fantásticas.

Quem NÃO deve ler/assistir 07-Ghost?




Ok, prestem atenção porque isso é muito importante: se você ODEIA ver personagens masculinos se abraçando e dizendo "você é tudo para mim" e acha que tudo é "coisa de viado", VÁ EMBORA AGORA! Esse não é o manga para você. Mas Vitoria você disse que não é gay! E não é mesmo, os personagens são héteros até demais (destaque para o Frau, que é um bispo tarado viciado em pornô). Acontece que as autoras, antes de 07-Ghost, costumavam escrever fanfics yaoi. Em 07-Ghost, apesar de não haver nenhum tipo de romance entre os personagens, sobram fan-services com direito a cenas comprometedoras, declarações incomumente sentimentais, piadas internas sobre o "excesso de amizade" entre alguns personagens, e posteres oficiais pra lá de "estranhos" (e é tudo muito pior - ou melhor hehehe - no manga do que no anime). Então, se você não suporta esse tipo de piada ou te incomoda ver muito foco na amizade entre dois homens, delete esse anime e vá ver uma luta de MMA.

Fan service que aparece na história =)



Fan service que NÃO aparece na história (wtf esse pôster)

Além disso, se você não gosta de se emocionar, esse não é o manga para você. Porque você vai chorar. Mas Vitoria eu sou super insensível eu nunca - Você vai chorar. Muito. Muito mesmo. Ele não é uma "novela mexicana" com situações excessivamente dramáticas e exaustivas, mas ele foca nos sentimentos dos personagens de tal forma que você vai rir quando eles quiserem que você ria e chorar quando eles quiserem que você chore. Não adianta. Eu sou fria como uma pedra, mas lágrimas de verdade subiram aos meus olhos quando... Veja e você saberá ;)
Por fim, se você está pensando em ler esse manga porque viu os posteres e algumas capas e está achando que é yaoi ou que existe a menor chance de rolar alguma coisa entre os meninos, esqueça. As autoras adoram provocar a nossa imaginação, mas eles são todos héteros (snif snif).

Isso abre um capítulo mas não tem nada a ver com a história...


Os 07 Ghost *-*

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O Quase Incêndio

Estava eu aqui no computador, selecionando filmes para assistir, quando comecei a sentir um cheiro que parecia pão queimado. A princípio ignorei, mas o cheiro foi aumentando e aumentando, e eu gritei para a minha mãe, dizendo que alguma coisa estava queimando. Eu sabia que não tinha nada no forno, mas o cheiro estava ficando muito forte. No nível preocupantemente forte.
Como esperado, mamãe gritou de volta dizendo que não tinha nada no forno. Ok, sem motivos para preocupação então. Voltei a procurar filmes para baixar (que eu provavelmente nunca assistiria), quando de repente percebi que o cheiro de queimado não só continuara, como chegara ao nível intolerável. Definitivamente, alguma coisa muito errada estava acontecendo.
Saí do quarto para investigar, e quando cheguei no corredor, ele estava cheio de fumaça (como ninguém mais tinha reparado nisso, eu não sei). Só que a fumaça não vinha da cozinha, e sim do banheiro. Corri para lá e vi que ela estava entrando pela janela.
A primeira coisa que pensei obviamente foi fogo. Eu moro no sétimo andar, e aprendi na escolinha que a fumaça sempre sobe, então em algum dos seis andares abaixo do meu devia haver um apartamento com um pequeno problema de incêndio envolvendo pães queimados. E pela quantidade de fumaça, eu já conseguia visualizar labaredas saindo pelas janelas.
Gritei para o pessoal aqui de casa que tinha um apartamento pegando fogo, e todo mundo correu para as janelas, procurando algum indício de fumaça. E mais uma vez, quem viu primeiro fui eu (eu sou demais): de alguma varanda abaixo do terceiro andar, saía uma quantidade significativa de fumaça. Não dava para ver exatamente de qual andar ela vinha, mas me parecia ser do primeiro, embora cada um aqui opinasse um andar diferente.
Mais uma vez, eu estava certa: a fumaça vinha do primeiro andar. Ótimo, pensei, algum vovô esqueceu a comida no forno e a essa hora deve estar desmaiado no sofá da sala, intoxicado - isso na melhor das hipóteses. Mas apesar de toda a fumaça, não havia nenhum indício de fogo, o que, eu imaginava, era um bom sinal.
Papai desceu correndo para o primeiro andar, para ver o que estava acontecendo. Genialmente, ele desceu pelo elevador. Se alguém aqui já teve algum treinamento contra incêndio (ou tem o mínimo de bom senso) sabe que em caso de incêndio nunca se deve usar os elevadores, mas ok. Ele desceu pelo elevador. Quando as portas se abriram no primeiro andar, ele se deparou com um corredor completamente tomado pela fumaça e um cheiro de queimado insuportável.
Pensem bem: eu moro no sétimo andar, e o corredor do meu apartamento estava cheio de fumaça. Não é difícil imaginar o estado em que ficou o primeiro andar, onde estava a origem do problema. Meu pai viu como estava a situação ali, e então desceu para o térreo (eu teria tentado arrombar a porta, mas felizmente ele não fez isso). Chegando do lado de fora do prédio, ele encontrou ninguém menos do que o dono do apartamento de onde vinha a fumaça. Se seguiu um diálogo mais ou menos assim:
Papai: Eu acho que está saindo fumaça da sua varanda.
Moço: Sim, mas já está tudo bem. Mais ou menos.
E então o homem contou o que acontecera.
Ele trabalha a noite. Pouco antes de sair para trabalhar, ele fez um sanduíche e colocou para esquentar no forno. E aí deu a hora de ele sair, e ele foi embora.
Horas depois, estava ele trabalhando, quando a iluminação despencou sobre ele: o sanduíche! Sai ele correndo do trabalho e percorre todos os quarenta minutos até a casa dele com o desespero de alguém que esqueceu um sanduíche no forno aceso. E quando ele chega em casa e abre a porta, encontra...
Fumaça. Não apenas a fumaça que tinha no nosso apartamento, não a fumaça que meu pai viu no corredor. Porque, quando a fumaça chegou ao nosso apartamento, ele já tinha apagado o fogão há pelo menos meia hora. A fumaça que ele encontrou dentro do apartamento já tinha praticamente vida própria. Era uma fumaça preta sinistra totalmente desproporcional ao tamanho do pão queimado que a causara. E ela tomara o apartamento todo, contaminara cada recanto com seu veneno tóxico.
Obviamente, a primeira coisa que o homem fez foi correr para o fogão e desligar o gás. Curiosamente, nada pegou fogo; a fumaça fora causada apenas pela comida queimada - o que foi uma sorte inacreditável e do tipo que só acontece uma vez na vida. Já vi fogões pegarem fogo por muito menos.
Mas o sanduíche não resistiu aos ferimentos e veio a falecer. Descanse em paz, sanduíche.
Depois daquilo, o homem simplesmente jogou o cadáver do sanduíche fora, abriu todas as janelas da casa, e foi embora. Já estava lá embaixo há quase uma hora quando meu pai o encontrou, e deve ter ficado muito mais tempo. Tudo o que eu sei é que continuou a visivelmente sair fumaça da varanda dele por mais umas duas horas. Se eu fosse ele, teria dormido na garagem e no dia seguinte lavado o apartamento inteiro com cloro. E olhe lá se seria o suficiente.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Os 30 Livros Mais Importantes Para Mim

Ontem foi meu aniversário de 26 anos (apesar de algumas pessoas terem me perguntado se eu estava fazendo 18). Como a gente só faz 26 anos uma vez na vida, decidi que era uma data muito importante e merecia um post comemorativo. Resolvi fazer então uma lista dos 30 livros mais importantes para mim, em ordem cronológica, para que vocês tenham uma ideia melhor dos motivos de eu ser essa pessoa estranha que sou hoje, e possam filosofar em cima disso.
Mas Vitoria por que 30? Por que não 10? Ou 50? Porque eu estou fazendo 26 anos, e dessa forma a lista ainda vai servir para meus próximos 4 aniversários \o/
Mentira, eu ia fazer um top 10 mas no final acabou ficando 30, então deixei assim mesmo. Divirtam-se.

  1. O Menino no Espelho (Fernando Sabino): Eu li esse livro aos 4 anos, e foi o primeiro livro "de verdade" que eu li. Meus avós tinham uma estante cheia de livros, e esse era um deles. Eu era metida a superior e intelectual, e um dos motivos de eu ter lido esse livro foi porque ele era "grande" e eu queria mostrar para todo mundo como eu era inteligente. Por sorte, adorei. Se tivesse sido ruim, talvez eu nunca mais tivesse lido um livro "grande".
  2. A Ilha Misteriosa (Julio Verne): Eu tinha entre 6 e 9 anos quando li esse livro, e para vocês terem uma ideia da importância dele na minha vida, eu só o li uma vez e me lembro da história quase toda. Um dos que me apresentou ao gênero aventura, e também um dos primeiros livros que li que não era infantil. Foi a primeira vez que li um livro de uma faixa etária acima da minha, o que se tornou uma constante nos anos que se seguiram.
  3. Não Olhe Atrás da Porta (Lia Neiva): Livro que me apresentou à literatura fantástica e influenciou profundamente meu estilo de escrita e meus gostos literários. Também foi o primeiro livro de contos que eu li. Todos os contos são de fantasia tendendo para o macabro, e foi o livro que me mostrou que se uma história com final feliz é boa, uma sem final feliz pode ser melhor ainda. Destaque para o conto A Menina que Abraçava o Vento, o qual eu venho tentando reproduzir há muito tempo, sem sucesso.
  4. A Hora das Sombras (Luiz Antônio Aguiar): Quando o reli depois de adulta, percebi que esse livro não tinha nada demais. Mas foi um dos meus livros preferidos durante a minha infância. Foi a primeira distopia que eu li, em uma época em que eu não tinha a menor ideia de que esse termo existia. Também foi a primeira vez em que eu identifiquei alguma referência sexual em uma história.
  5. Histórias Extraordinárias (Edgar Allan Poe): Primeiro livro de terror que eu li. Foi amor à primeira vista. Nunca esquecerei da cara de horror da professora quando fiz um resumo sobre o conto O Gato Preto e apresentei na frente da sala, na 5ª ou 6ª série.
  6. Harry Potter (todos) (J. K. Rowling): Ok, ok, são 7 livros e não 1, mas estou considerando séries inteiras como uma coisa só. Harry Potter me acompanhou dos 13 ou 14 anos em diante, e foi o livro que mais ocupou meus pensamentos durante a minha adolescência.
  7. O Jardim dos Esquecidos (Virginia C. Andrews): Esse livro também faz parte de uma série, mas o único de que gostei foi esse, que é o primeiro. Provavelmente se eu relesse hoje acharia horrível, mas ele foi importante por ter me dado milhares de ideias para cenas e situações que até hoje utilizo na hora de escrever.
  8. Zona Morta (Stephen King): Um dos primeiros livros de Stephen King que eu li, o que é muita coisa. Esse foi um dos meus autores prediletos e marcou muito a minha adolescência. 
  9. Comédias para Se Ler na Escola (Luis Fernando Veríssimo): O primeiro livro que li do meu autor brasileiro preferido. Foi o responsável por me apresentar às crônicas (sem ele, esse blog não existiria). Se eu já consegui fazer alguém rir com alguma coisa que eu escrevi, foi graças a esse livro.
  10. As Brumas de Avalon - todos (Marion Zimmer Bradley): A única versão da história do Rei Artur que eu gosto. Marcou minha fase mística e feminista. Me fez conhecer muita coisa sobre o paganismo. Também foi a primeira vez que eu li uma cena de atração entre dois homens e até hoje lembro dessa cena quando vou escrever alguma fanfic.
  11. Insônia (Stephen King): Naquela época, esse foi de longe o maior livro que eu já tinha lido e proporcionalmente o que eu li mais rápido (mais de 700 páginas em 6 dias), e só isso seria o suficiente para entrar nessa lista. Para completar, aprendi com ele que dá para misturar fantasia louca, magia, crítica social, preconceito, idosos, violência doméstica, feminismo, morte, dimensões paralelas, superpoderes, noites em claro, hospitais e discussões sobre aborto e mesmo assim terminarmos com uma história adulta, interessante e coerente.
  12. O Clube dos Anjos (Luis Fernando Veríssimo): Sinceramente, eu não tenho a menor ideia do porquê desse livro ter entrado nessa lista. Ele me marcou demais, mas eu não sei porquê! Pode ter sido por causa do carinha ex-bonitão ou das pessoas que comem a comida gostosa mesmo sabendo que vão morrer. Enfim, um indício de que a psicopatia já estava presente.
  13. O Grande Mentecapto (Fernando Sabino): Quem me conheceu durante a adolescência, deve ter me ouvido falar pelo menos uma vez nesse livro. Eu o li no mínimo cinco vezes seguidas. Uma obra maravilhosa que não é fantasia mas não se preocupa em nenhum momento em se manter fora do absurdo. E eu só peguei esse livro porque fiquei intrigada com o título...
  14. O Diário de um Mago (Paulo Coelho): Hoje eu não gosto muito dos livros de Paulo Coelho, mas na minha adolescência eu li absolutamente todos os livros dele que já tinham sido lançados. Fiz quase todos os rituais que são descritos nesse livro.
  15. Filha de Feiticeira (Celia Rees): Acho que o que mais gostei nesse livro foi o fato de mostrar uma adolescente que age como adulta com naturalidade. Também me identifiquei intimamente com as cenas em que ela foge para passear pela floresta.
  16. O Guardião (Dean Koontz): Esse livro é inesperadamente bom. Digo inesperadamente, porque a capa é meio estranha (me lembra A Cabana) e eu nunca tinha ouvido falar do autor. Mas foi ele que me fez gostar de histórias envolvendo viagens no tempo e me apresentou ao termo "paradoxo". Também me apresentou à possibilidade de misturar ficção com acontecimentos históricos.
  17. Magos / Encantamentos / Imortais (Isaac Asimov): Esses três livros pertencem na verdade à mesma coleção e são dificílimos de achar. São coletâneas de contos sobre o tema que dá título à cada livro. Mais um da minha época "mística", com eles aprendi muito sobre como escrever literatura fantástica, além de terem me apresentado a vários termos desse universo.
  18. O Alienista (Caleb Carr): Um dos melhores policiais que já li, e do qual eu descaradamente copiei ideias em várias coisas que escrevi. Psicopatas, assassinatos, psicologia, gays e pedofilia. Soa familiar?
  19. O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry): Esse livro é para mim o que a bíblia é para muitos. O li no auge da minha adolescência e reli muitas e muitas vezes. Me dá paz de espírito.
  20. Memorial de Maria Moura (Rachel de Queiroz): Uma mulher que age e pensa como um homem. Que é capaz de matar o homem que ama porque sabe que é o certo a se fazer. Uma história onde existem coisas mais importantes do que a vida e muito piores do que a morte. Influência forte para mim, na escrita e na vida.
  21. Contos de Amor Rasgados (Marina Colasanti): Esse. Livro. *-* Esse foi o livro que me apresentou ao surrealismo e sem o qual contos como A Mulher Perfeita, Naufrágio, A Menina da Água, Lápis, Azul, entre outros, simplesmente não existiriam.
  22. Trilogia Fronteiras do Universo (Phillip Pullman): Aqui começa a fase Livros Lidos na Idade Adulta. Primeira vez que li um livro de fantasia escrito por um ateu. Mas esse livro se tornou muito importante também por outro motivo: foi a primeira vez que li um livro junto com amigos meus. Foi uma das melhores experiências que eu já tinha tido.
  23. O Caçador de Pipas (Khaled Hosseini): Esse livro maldito mexeu tão profundamente comigo que nunca mais quero lê-lo de novo.
  24. A Menina que Roubava Livros (Markus Zusak): Esse livro lindo mexeu tão profundamente comigo que quero tê-lo para sempre (sim, para mim ele é igual ao Caçador de Pipas só que ao contrário). Ele me fez deixar de ter medo da morte, então sim, ele foi muito importante na minha vida.
  25. O Guia do Mochileiro das Galáxias - todos (Douglas Adams): Livro que me deu novas influências para humor, além da resposta para todas as perguntas do universo.
  26. As Crônicas de Nárnia (C. S. Lewis): O livro religioso/cristão mais incrível que eu já li na minha vida. Conseguiu me fazer olhar com mais simpatia para coisas como religião e monarquia (!) e me deu grandes lições sobre como escrever um livro infantil.
  27. O Evangelho Segundo Jesus Cristo (José Saramago): Livro que me deu uma base mais sólida para questionar e argumentar sobre religião, que me fez pensar muito profundamente em algumas coisas, enfim, um livro que me mudou em muitos aspectos.
  28. Sandman (Neil Gaiman): Vitória isso não é um livro é uma revista em quadrinhos - dane-se. Sandman é mais um que conseguiu mudar minha vida. Simples assim. E a cada vez que eu releio, ele me muda mais um pouquinho. Neil Gaiman, cara. Neil Gaiman.
  29. 1984 (George Orwell): Um dos livros mais pesados que eu já li. Me fez perceber que finais trágicos podem ser levados a um nível muito mais alto do que eu imaginava. Também me deu novas ideias sobre formas de tortura, e me ensinou que o amor não é mais forte do que tudo. E que não, não é só um livro. É a vida.
  30. Coisas Frágeis (Neil Gaiman): Apesar do nível dos contos desse livro variar bastante, alguns deles são maravilhosos e extremamente perturbadores. Me deu grandes influências para contos de terror e surreais.
Muitos livros excelentes ficaram de fora dessa lista, mas eu garanti que aqueles que me marcaram mais, ou me mudaram de alguma forma, estivessem aí.
Fazendo essa lista, uma coisa engraçada que eu percebi é que tem alguns livros que me marcaram muito, mas eu não sei explicar direito o porquê. É engraçado também o fato de a gente ter fases: muita coisa que li  e adorei na adolescência eu simplesmente detestei quando reli depois de adulta.
Outra coisa curiosa é que, quando criança, eu fazia questão de ler livros destinados a pessoas mais velhas. Já depois de adulta, eu tenho lido uma grande quantidade de livros infanto-juvenis. Sinto que existe uma mensagem oculta nisso, mas não consigo captá-la.

* * * * *

Deixo aqui um agradecimento muito especial à Jordana, minha filha adotiva e autora do blog http://addictionforbooks.blogspot.com.br/. Foi ela quem me deu a ideia para um top 10 de livros (em uma corrente facebookiana que eu ainda não repassei), e sem ela esse post não existiria. Muito obrigada Jo-chan, por ter sido a luz na escuridão da minha criatividade. Continue com as suas resenhas, elas estão melhor à cada dia (leiam leiam) \o/

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

[Resenha #010] O Ladrão de Raios (Percy Jackson e os Olimpianos - Livro 1) - Rick Riordan

Resenha também publicada no Skoob. Você pode ler mais sobre o livro clicando aqui.

UM ÓTIMO HERÓI E UMA HISTÓRIA EMPOLGANTE

Percy Jackson sempre teve problemas que o levaram a ser expulso de todas as escolas por onde passou. Com dislexia e déficit de atenção, e cercado por acontecimentos estranhos, ele nunca imaginou que pudesse ser importante para o futuro da humanidade. Mas está prestes a descobrir que sua vida é muito mais do que parece, que sua família esconde segredos que ele nunca imaginou, e que os personagens da mitologia grega são muito mais do que mitos.
Eu li O Ladrão de Raios em uma velocidade inacreditável: foram quatrocentas páginas em dois dias e meio. Acho que isso é o suficiente para afirmar que gostei do livro. Eu não esperava muita coisa da história, talvez por se tratar de um infanto-juvenil; mas ele superou em muito todas as minhas expectativas.
Não há pausas durante o livro. O ritmo é frenético, talvez pelo próprio personagem ser frenético. É uma aventura atrás da outra, um acontecimento inesperado atrás do outro, e as pausas para respirar, quando existem, são curtas. Em alguns momentos acontecem coisas tão absurdas que são engraçadíssimas, mesmo em momentos de tensão.
Falando em coisas absurdas, o livro praticamente não se preocupa em tornar os acontecimentos críveis, ou dar explicações para "encaixar" os elementos absurdos na nossa realidade. Por exemplo: existem deuses mitológicos vivendo até hoje, e pronto. Não existe nenhuma preocupação com as implicações disso, ou com o "como". É mágica, as coisas são desse jeito, nada é impossível. A forma como as pessoas lidam com o absurdo é também bastante irreal: há uma aceitação imediata de tudo, quase nenhum questionamento. O máximo que há é um "nossa, deuses gregos existem, que estranho", e a vida segue normalmente. Essa é para mim uma das melhores características do livro.
Há alguns problemas, claro, mas nenhum que eu considere grave. Certos elementos que deveriam ser surpresa são muito fáceis de serem adivinhados. Quando é dito que um dos amigos irá se tornar um traidor, ou quando alguns enigmas são apresentados, eu descobri muito rápido quem era ou do que se tratava - e eu não sou muito boa em desvendar enigmas. Isso tira um pouco a graça de algumas cenas que deveriam causar surpresa, mas como eu disse, não é um problema grave e essas cenas conseguiram ser empolgantes mesmo assim.
Uma coisa que gostei muito em O Ladrão de Raios foi o personagem principal. Percy é um garoto muito novo que teve uma vida difícil, e por isso mesmo ele tem uma proatividade que é ausente em muitos outros personagens principais de outras obras (como Harry Potter ou Eragon). Ele toma decisões, arruma confusão por vontade própria, tem vontade de lutar, e se mostra um grande guerreiro. Também não há muita preocupação com o politicamente correto, ou com tornar o herói excessivamente "bonzinho" - Percy não é, de jeito nenhum, o "cara bonzinho", e não pensa duas vezes antes de se livrar do jeito que der de quem lhe incomoda. Por outro lado, ele é dono de uma lealdade incontestável aos amigos. Um herói, sim, mas uma pessoa normal. Mesmo ele não sendo totalmente normal.
Não é preciso dizer que recomendo muito a leitura. O Ladrão de Raios é um livro fácil e rápido de ler, com uma história divertida e empolgante, e onde, apesar do ambiente cheio de absurdos, os personagens tem personalidades muito reais. Quem gosta de livros de fantasia, de histórias com muitas aventuras e quer um livro que vá ler muito rápido, não se arrependerá de ler esse.